
Esta semana apresentamos a entrevista ao nosso "INGINHEIRO", JORGE FARIA, atleta e director Atómico:
1 – No seu historial Atómico, como se tem sentido no clube, ao fim de época e meia?
JF: Apesar da minha participação no clube não ser tão activa quanto eu desejava, tem sido muito gratificante ajudar a construir uma secção de basquetebol de raiz. Apesar de, por motivos profissionais, não poder jogar, gosto muito das minhas novas funções no clube.
2 – Quais as expectativas para esta época no CNB1, depois da subida alcançada em 2007/2008 na CNB2?
JF: Com o nosso orçamento e sendo uma equipa recém-criada, num concelho sem tradição na modalidade, as expectativas não podem ser muito ambiciosas. Para mim o mais importante é garantirmos a manutenção no CNB1 para termos uma maior qualidade nos jogos e, acima de tudo, mantermos o grupo unido e com vontade de continuar a jogar.
3- Sendo atleta e exercendo também funções de director da secção, como imagina o futuro próximo?
JF: O futuro não está nada risonho. Como o clube ainda não tem o suporte das equipas de formação, sempre imprescindíveis num clube com baixo orçamento, vai ser muito difícil manter a equipa sénior, quer pelo número de jogadores necessários quer pela qualidade que todos queremos que se mantenha. Alguns jogadores, tal como eu, não podem jogar por razões profissionais, outros por já não terem a disponibilidade física de outros tempos. Vai ser muito difícil convencer jogadores a deslocarem-se a Oliveira 3 ou 4 vezes por semana e todos os fins-de-semana durante 7 meses, sem terem algum tipo de apoio. E apoio financeiro nós não podemos dar.
4- Apesar de inscrito como atleta a sua vida profissional não lhe tem permitido dar contributos à equipa no campo, sente saudades dos Jogos?
JF: Muitas… É, provavelmente, a minha maior mágoa. Estive 10 anos a jogar com esta equipa, primeiro no Anadia, depois no Núcleo. Sempre tivemos o objectivo de subir de divisão, apesar de todas as contrariedades que existiam e que nos levaram a criar a secção de basket nos Atómicos. Apenas uma vez estivemos quase a concretizar o sonho.
No ano da criação da secção subimos de divisão e, apesar de eu só ter jogado 4 ou 5 jogos, sentia-me parte da equipa (equipa enquanto jogador, obviamente). Mas este ano não. Não pude treinar nem jogar um único jogo. 10 anos a lutar por jogar nesta divisão e quando, finalmente, o conseguimos nem um jogo faço…
5- Como tem sentido os seus companheiros?
JF: Como não estou em Portugal não convivo diariamente com todos eles, mas falo regularmente com alguns, tentando também manter-me dentro dos problemas que vão aparecendo. Mas apesar de todas as limitações que temos, sinto que todos estamos motivados para conseguirmos a melhor classificação possível e acima de tudo garantirmos a manutenção. Claro que a época já vai longa e como a maioria dos jogadores também tem os seus empregos e preocupações começa a haver uma certa saturação. Mas é perfeitamente normal! E acho que quanto a isto, nós (os directores) também tivemos uma parte da culpa, pois dado a nossa inexperiência, a época não foi delineada atempadamente, havendo alguns problemas por o plantel ser curto.
Mas como tudo na vida, a prática faz a perfeição.
6- Gostaríamos que analisasse a classificação actual bem como os próximos jogos?
JF: Ainda só vi um jogo, por isso não sei avaliar a classificação da equipa. Das outras equipas também sei pouco, apenas que se reforçaram com bons jogadores e que por trás têm grandes orçamentos. Para os 2 jogos que faltam espero que consigamos a vitória que falta para garantir a manutenção e termos todos o sentimento de dever cumprido.
7- Pensa que a presença da modalidade no concelho de Oliveira do Bairro tem sido apoiada pelas forças vivas da Cidade? Qual a sua opinião face às assistências aos jogos?
JF: Não estou por dentro dos apoios dados pela cidade e pela câmara, por isso, para não correr o risco de ser injusto, prefiro não comentar.
Quanto às assistências nos jogos sei que são muito baixas, apenas com familiares dos jogadores. Não é benéfico para a equipa ter no seu pavilhão menos apoiantes que a equipa visitante. Também aí acho que podemos melhorar no futuro, pois o horário dos jogos influencia muito o número de espectadores. Quer gostemos ou não Portugal é um país de futebol e em vez de lutarmos contra isso, temos é que tirar partido disso. Se mudarmos os nossos jogos para depois do jogo do Oliveira (futebol) e o bar do pavilhão estiver aberto, talvez mais gente comece a ir para o pavilhão. Pelo convívio ou pelo basket pelo menos estão presentes…
8- Ainda mantém a paixão pela prática da modalidade?
JF: Claro… E ao contrário de alguns jogadores as minhas pernas ainda querem. O meu chefe é que não me deixa…
9- Em termos directivos, o que gostaria de frisar?
JF: Apenas uma coisa: O nosso esforço e dedicação para mantermos a secção viva! Mas precisamos da ajuda de todos, direcção, jogadores, pais e toda a população da cidade. Da direcção da secção apenas um vive actualmente em Oliveira, pelo que estamos a tentar dinamizar e dar novas opções desportivas a uma cidade que não é a nossa. Eu acredito neste projecto mas para conseguirmos ter sucesso precisamos da participação de quem, efectivamente, mora e vive na cidade de Oliveira do Bairro.
10- Estando Oliveira do Bairro, um pouco afastada dos principais núcleos de Basquetebol, considera fácil o recrutamento de atletas levando em conta as possibilidades financeiras do Clube?
JF: Como já referi na pergunta 3, vai ser muito difícil manter o número de atletas necessário e manter a qualidade do plantel com o nosso orçamento. Este ano vamos ter de preparar a próxima época com ainda mais antecedência e tentar estudar todas as possibilidades para a equipa sénior ser viável. Apesar da equipa sénior não ser a base duma secção de basquetebol, é muito importante para incutir nos nossos jovens um objectivo a longo prazo – Fazer parte dessa equipa. Quanto mais forte e unida a equipa sénior for, maior é o desejo e a motivação deles para, um dia, jogarem nos seniores dos Atómicos.
11- Conselhos para os mais novos? O que gostaria de acrescentar?
JF: O meu único conselho é para praticarem desporto, e preferencialmente, um desporto colectivo. È a melhor maneira de garantirem uma melhor qualidade de vida quando chegarem a adultos e aprofundarem conceitos como trabalho de equipa, entreajuda, camaradagem…
E já agora, como nem todos podemos ser Ronaldos, dêem uma hipótese ao Basquetebol… Pode ser que gostem!